Como diria o dizer popular, para quando a pessoa tá com a maior caganeira, o cabra tá se acabando por baixo. Talvez a mesma coisa esteja acontecendo com a nossa civilização, ela está se acabando de tanto lixo que produz.
Quando estava morando na casa dos meus pais, no pequeno paraíso chamado Aldeia, em Camaragibe, eu não percebia a quantidade de lixo que a família produzia, talvez porque a área era muito grande e os sacos de lixo diluíam-se na paisagem muito vasta. Mas quando a gente se mudou para o centro (centrão mesmo!) de Marseille, as coisas mudaram um pouco.
Produzimos aproximadamente uns três saquinhos de lixo de 10L por dia, um que fica na cozinha, outro no sanitário e outro na sala de banho. Logicamente (esse logicamente foi demais!) a gente sai espalhando um pouco as fraldas sujas de Samuel um pouco em cada lixeirinho (menos do da cozinha viu?), o que ajuda a preenchê-los um pouco mais rápido.
Depois sacudimos todo esse lixo nos depósitos públicos de nossa rua, que devem ser uns oito bem grandes. Lá para as nove e meia da noite os caminhões passam para recolher todo o nosso querido e sujo lixo. A quantidade de lixo é realmente assustadora. E o pior de tudo é que não só são nossos resíduos domésticos que vão para o lixo e depois recolhidos. Já vi aspiradores de pó, fogões, colchões aos montes, camas, cadeiras, armários, mesas, enfim, tudo que ficou velho e quebrado, o francês taca no lixo sem muita cerimônia. Como a mão de obra para consertar as coisas é muito cara, é melhor comprar tudo novo...
Não é a toa que muitas filmes de ficção científica já trabalharam o tema. O último deles que vi foi Wall-e, no qual um robozinho é programado para juntar todo o lixo produzido pela humanidade. Enquanto isso toda a humanidade sai de férias espaciais esperando a Terra ficar limpinha outra vez.
Infelizmente, não tem ficção que dê jeito nessa imunda catástrofe. Vamos continuar produzindo uma montoeira de lixo sem saber depois o que fazer com ele, sempre empurrando para debaixo do tapete, enterrando, queimando, ou jogando fora de qualquer jeito, como acontece comumente nos países ditos do terceiro mundo, que por coincidência, são os mais populosos. Coitados dos pobres, injustamente acusados de poluir o planeta. A França, em 2030 vai dobrar a quantidade de lixo radioativo produzido por suas usinas nucleares e laboratórios científicos...
A nossa única esperança é a tal da reciclagem. Mas esperar que o mundo todo recicle ou mesmo separe o seu lixinho, isso é outra estória...